stressfm-podcasts:

Fernando Cerqueira: SPREAD THE THISEASE

image

No passado dia 16 de Maio de 2013 aceitámos o convite do Filipe Leote e trouxemos ao estúdio da Stress.fm o Fernando Cerqueira, responsável pela defunta editora SPH e membro de projectos musicais como os Croniamantal, Ras.Al.Ghul e Rasal.Asad. Actualmente está à frente da Thisco e dos múltiplos projectos editoriais que rodeiam esta label.

O percurso do Fernando começou em meados dos anos 80, numa altura em que aparecia cada vez mais malta interessada nas várias vertentes da música electrónica: ambiental, esperimental, noise, industrial. Dentro destes meios musicais, o nome mais sonante é, quase inevitavelmente, o da editora de João Peste, a Ama Romanta. Mas, segundo o Fernando, “havia um outro circuito, que era muito mais restrito, que eram pequenas editoras que estavam a fazer edições em cassete, como por exemplo as Facadas na Noite [Braga]; depois aparece também a Tragic Figures [Porto], a Johnny Blue, a Ananana [Lisboa]… havia muita coisa”.

Nesta altura, para além de tocar com os Croniamantal, o Fernando Cerqueira geria sozinho a sua própria editora, a SPH. Em 93 acabou por abandonar os Croniamantal para se dedicar exclusivamente às edições.
A SPH editava tiragens relativamente reduzidas de cassetes que eram distribuidas um pouco por todo o mundo. No catálogo da editora figuram dezenas de nomes enquadrados em vários tipos de som electrónico e experimental, alguns deles bem sonantes: ‪Jim O’Rourke‬, Merzbaw, Brume, Alvars Orkester, Maeror Tri., etc. 

Ao longo dos anos, a SPH foi ganhando um certo prestígio e reconhecimento, graças ao esforço e à persistência do Fernando que mantinha correspondência regular com musicos e produtores de diferentes cantos do planeta. As cassetes da SPH são hoje autênticas relíquias.

Depois de dissolver a editora, o Fernando dedicou-se à livraria Ligotage, inicialmente localizada no Centro Comercial Portugalia e, mais tarde, na ZDB, em Lisboa. Podia-se encontrar imenso material ligado à contracultura (ou Ocultura, como o Fernando prefere chamar). Os temas e as publicações eram muitos e variados: Re/Search, Body Play, Fethish, S&M, Archaic Revival, TOPY, Gaia, Apocalipse, Satanismo, Erótica, etc. 
O Fernando fez ainda parte de dois outros projectos sonoros já em cima referidos: Ras.Al.Ghul, que se dedicavam “à exploração de ambientes electrónicos sob a tónica do experimentalismo”, e Rasal.Asad, “numa vertente exploratória de sonoridades mais assentes na música ambiental e drone”.

image

Em 2001, nasceu o projecto a que ele se dedica exclusivamente nos dias que correm: a Thisco é uma associação cultural que partiu de um conjunto de ideias que têm como intuito criar  transformações sonoras, estéticas e na maneira de estar. 
 
image
Ao longo de mais de 10 anos, foi ganhando corpo quer enquanto editora musical - sobretudo no vasto universo da música electrónica: ambiental, noise, pós-industrial, etc. -, quer enquanto difusora de textos ligados a diferentes correntes da Ocultura com as quatro antologias lançadas em parceria com a Chili Com Carne: Antibothis. Nestas publicações colaboram escritores nacionais e internacionais: John Zerzan, Pentti Linkola, Erik Davies, Hakim Bey, Genesis P-Orridge, Joe Coleman, Crimethinc., Critical Art Ensemble, Boyd Rice, V. Vale, entre muitos outros.

 
Para além da edição da Antibothis, a Thisco e a Chili Com Carne lançam em conjunto a colecção THISCOvery CCChanel.
 


Links relacionados:

 


image
stressfm-feed:
MUNDO COLCHONERO
1.
Para ser adepto Colchonero, especialmente vendo um jogo contra o Real Madrid e longe dos amigos, o melhor mesmo é estar num canto quietinho. Não é paranoia, foram mesmo 14 anos sem ganhar qualquer único jogo ao rival, o mais odiado de todos.
Se Lisboa for esse canto, convém arranjar outro dentro desse. Esta cidade também não deixa o Colchonero em paz, nem que seja por populismo exacerbado.
As condições não são as melhores, mesmo num café em que ninguém sinta a sua dor ou a contrária, o Colchonero está só. Diz-se que pela grandiosidade análoga, os benfiquistas estão com o Real Madrid. Para outros gostos há sempre Mourinho e Ronaldo. Os  sportinguistas até podiam sentir alguma empatia, mas os últimos embates e confrontos entre adeptos deixou tudo a perder.
O melhor mesmo é suar sozinho, mas no fim, ainda assim, ouviu-se um ou outro ruar pela Baixa.
2.
Já para o Rei Juan Carlos foi um jogo fácil.
O Atlético de Madrid foi rapidamente nos anos 40, após a Guerra Civil Espanhola, acolhido pela Falange. Esta poderosa organização permitiu grande êxitos à equipa com um novo nome: Atletico Aviacion, por ter agregado a equipa da força aérea. Já o Real, aumenta o seu poder nos anos 50, e por mais que se invente sobre o que é isso de clube do regime, o Ministro da informação e Turismo de Franco, Alfredo Sanchez Bella, reduziria a uma frase: “El Real Madrid es la pieza clave, la mayor e la mejor que temos tenido en los últimos tiemplos para afirmar nuestra popilaridad fuera de las fronteras”. 
A taça tem o seu nome: del Rey; e jogado no Bernabeu com um Atlético-Real, nada melhor para apaziguar a sua alma em tempos cada vez mais republicanos. 
No domínio técnico, a TVE poupou recursos e não teve que simular o hino ao intervalo como fez para a final Athletic-Barça de 2009. Mesmo com um país em crise, nesta final todos cantaram o hino.

3.
Ao contrário das grandes equipas, em que vamos sabendo os onzes de cór, sempre vi o Atlético como uma equipa de icones: Schuster, Futre, Simeone, Kiko, Forlan, Torres, Aguero e Falcão. Da última vez que o Atlético ganhou a final da Copa ao Real, os dois primeiros eram reis.

stressfm-feed:

MUNDO COLCHONERO

1.

Para ser adepto Colchonero, especialmente vendo um jogo contra o Real Madrid e longe dos amigos, o melhor mesmo é estar num canto quietinho. Não é paranoia, foram mesmo 14 anos sem ganhar qualquer único jogo ao rival, o mais odiado de todos.

Se Lisboa for esse canto, convém arranjar outro dentro desse. Esta cidade também não deixa o Colchonero em paz, nem que seja por populismo exacerbado.

As condições não são as melhores, mesmo num café em que ninguém sinta a sua dor ou a contrária, o Colchonero está só. Diz-se que pela grandiosidade análoga, os benfiquistas estão com o Real Madrid. Para outros gostos há sempre Mourinho e Ronaldo. Os  sportinguistas até podiam sentir alguma empatia, mas os últimos embates e confrontos entre adeptos deixou tudo a perder.

O melhor mesmo é suar sozinho, mas no fim, ainda assim, ouviu-se um ou outro ruar pela Baixa.

2.

Já para o Rei Juan Carlos foi um jogo fácil.

O Atlético de Madrid foi rapidamente nos anos 40, após a Guerra Civil Espanhola, acolhido pela Falange. Esta poderosa organização permitiu grande êxitos à equipa com um novo nome: Atletico Aviacion, por ter agregado a equipa da força aérea. Já o Real, aumenta o seu poder nos anos 50, e por mais que se invente sobre o que é isso de clube do regime, o Ministro da informação e Turismo de Franco, Alfredo Sanchez Bella, reduziria a uma frase: “El Real Madrid es la pieza clave, la mayor e la mejor que temos tenido en los últimos tiemplos para afirmar nuestra popilaridad fuera de las fronteras”. 

A taça tem o seu nome: del Rey; e jogado no Bernabeu com um Atlético-Real, nada melhor para apaziguar a sua alma em tempos cada vez mais republicanos.

No domínio técnico, a TVE poupou recursos e não teve que simular o hino ao intervalo como fez para a final Athletic-Barça de 2009. Mesmo com um país em crise, nesta final todos cantaram o hino.

3.

Ao contrário das grandes equipas, em que vamos sabendo os onzes de cór, sempre vi o Atlético como uma equipa de icones: Schuster, Futre, Simeone, Kiko, Forlan, Torres, Aguero e Falcão. Da última vez que o Atlético ganhou a final da Copa ao Real, os dois primeiros eram reis.

 
“You might have noticed that digital technology is a recurring topic on this show. You might even have wondered what kind of geeky girl spends her Monday nights typing blog posts about black mirrors, glowing rectangles of light, the vectors of desire and wealth that tie it all together. Fact is I’m obsessed with speed, connections, I can’t resist the vertigo of accelerating returns. The nexus of  change and adaptation is where I come to try to find some balance and digital tech suits me the best.”
 
 My name is Alice Politics and these are The Weekest Links.

 

“You might have noticed that digital technology is a recurring topic on this show. You might even have wondered what kind of geeky girl spends her Monday nights typing blog posts about black mirrors, glowing rectangles of light, the vectors of desire and wealth that tie it all together. Fact is I’m obsessed with speed, connections, I can’t resist the vertigo of accelerating returns. The nexus of  change and adaptation is where I come to try to find some balance and digital tech suits me the best.”

 

 My name is Alice Politics and these are The Weekest Links.

GMURDA

A Bateria Militar da Costa da Raposeira, nas arribas cimeiras à Costa da Caparica, fazia parte da Rede de fortes da Artilharia de Costa Portuguesa, tendo sido construida em 1893. Divide-se em 2 complexos, Raposeira e Alpena. Foi desactivada há cerca de 50 anos, estando abandonada desde então.

Quem procura o que fazer em Lisboa, provavelmente muito antes de o saber, vai dar por si no eixo Intendente/Anjos.
Dias Intendentes a propor cabarets (e a prometer Cais do Sodré), o Outjazz no Martim Moniz e até o Todos disse “Basta”: este ano vai fazer de cavalaria da gentrificação para outro lado.
Há uma tensão nos Anjos/Intendente/Mouraria que não se traduz necessariamente em pólos opostos. Para alguns é eleições, outros mercado imobiliário, ou apenas carregar caixotes porque a vida é madrasta. Muitos fazem disso tudo um joie de vivre, e estão bem em todo o lado. 
No meio deste legado, surge agora na zona menos unanimista da cidade, a proposta de Faz-Me Festas Nos Anjos. É uma celebração construída de base, com o contributo de vários espaços, associações e colectivos, alguns com sede nos Anjos outros nem por isso, mas que gostam de lá andar.
Meses de preparação conduziram a um processo não dependente de políticas públicas, sem paternalismos ou publicidade gratuita no Fugas. O acesso às actividades é gratuito. A Stress FM vai por lá andar e antes, a recomendar.
FAZ-ME FESTAS NOS ANJOS | PROGRAMA

Quem procura o que fazer em Lisboa, provavelmente muito antes de o saber, vai dar por si no eixo Intendente/Anjos.

Dias Intendentes a propor cabarets (e a prometer Cais do Sodré), o Outjazz no Martim Moniz e até o Todos disse “Basta”: este ano vai fazer de cavalaria da gentrificação para outro lado.

Há uma tensão nos Anjos/Intendente/Mouraria que não se traduz necessariamente em pólos opostos. Para alguns é eleições, outros mercado imobiliário, ou apenas carregar caixotes porque a vida é madrasta. Muitos fazem disso tudo um joie de vivre, e estão bem em todo o lado. 

No meio deste legado, surge agora na zona menos unanimista da cidade, a proposta de Faz-Me Festas Nos Anjos. É uma celebração construída de base, com o contributo de vários espaços, associações e colectivos, alguns com sede nos Anjos outros nem por isso, mas que gostam de lá andar.

Meses de preparação conduziram a um processo não dependente de políticas públicas, sem paternalismos ou publicidade gratuita no Fugas. O acesso às actividades é gratuito. A Stress FM vai por lá andar e antes, a recomendar.

FAZ-ME FESTAS NOS ANJOS | PROGRAMA

fluxosetransicoes:

Muitas das histórias que temos contado neste Blog sobre o Rio de Janeiro falam das recentes alterações na cidade em função dos grandes eventos que se aproximam: Copa e Olimpíadas.
O Comité Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro tem servido como observatório dessas alterações. Leia AQUI o seu mais recente relatório: Mega Eventos e Violações dos Direitos Humanos no Rio de Janeiro, que traz-nos alguns apontamentos importantes sobre os movimentos do mercado imobiliário, privatização de espaços públicos e colectivos, moradia e reforço das medidas de controlo e segurança.
«Desde o momento em que foi anunciada a escolha do rio de Janeiro como sede das olimpíadas  de 2016, a grande imprensa, políticos e diversos analistas têm ressaltado as oportunidades provenientes da ampliação dos investimentos na cidade, destacando as possibilidades de  enfrentamento dos grandes problemas, como o da mobilidade urbana e o da recuperação de espaços degradados para a habitação, comércio e turismo, caso da área central. nesse contexto, a prefeitura da Cidade do rio de Janeiro desenvolve e anuncia o projeto da Cidade olímpica, com o objetivo de acabar com a cidade partida, integrar, levar dignidade à população.
Entretanto, o início das ações na direção desse projeto permite afirmar que a cidade avança em sentido oposto ao da integração social e da promoção da dignidade humana. Os impactos das intervenções urbanas são de grandes proporções, e envolvem diversos processos de exclusão social, com destaque para as remoções. Para se ter uma ideia, as informações disponíveis possibilitam estimar gastos da ordem de um bilhão de reais com desapropriações, apenas para a implantação dos brts – Bus Rapid Transit. »

fluxosetransicoes:

Muitas das histórias que temos contado neste Blog sobre o Rio de Janeiro falam das recentes alterações na cidade em função dos grandes eventos que se aproximam: Copa e Olimpíadas.

O Comité Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro tem servido como observatório dessas alterações. Leia AQUI o seu mais recente relatório: Mega Eventos e Violações dos Direitos Humanos no Rio de Janeiro, que traz-nos alguns apontamentos importantes sobre os movimentos do mercado imobiliário, privatização de espaços públicos e colectivos, moradia e reforço das medidas de controlo e segurança.

«Desde o momento em que foi anunciada a escolha do rio de Janeiro como sede das olimpíadas  de 2016, a grande imprensa, políticos e diversos analistas têm ressaltado as oportunidades provenientes da ampliação dos investimentos na cidade, destacando as possibilidades de  enfrentamento dos grandes problemas, como o da mobilidade urbana e o da recuperação de espaços degradados para a habitação, comércio e turismo, caso da área central. nesse contexto, a prefeitura da Cidade do rio de Janeiro desenvolve e anuncia o projeto da Cidade olímpica, com o objetivo de acabar com a cidade partida, integrar, levar dignidade à população.

Entretanto, o início das ações na direção desse projeto permite afirmar que a cidade avança em sentido oposto ao da integração social e da promoção da dignidade humana. Os impactos das intervenções urbanas são de grandes proporções, e envolvem diversos processos de exclusão social, com destaque para as remoções. Para se ter uma ideia, as informações disponíveis possibilitam estimar gastos da ordem de um bilhão de reais com desapropriações, apenas para a implantação dos brts – Bus Rapid Transit. »

stressfm-podcasts:

NOVA DESORDEM MUNDIAL

No dia 26 de Abril de 2013, a convite de Filipe Leote, estivemos no estúdio da Stress.fm na companhia do  João, baterista de Pé de Cabra, Cavalaria 77 e muitas outras bandas.
 

O João estreou-se como baterista em 1988 com a banda Anti-porcos, banda punk-hard core de Linda-a-Velha. Em 6 anos fizeram cinco música. Em 1994 lançaram já como Pé de Cabra a sua primeira demo na mítica compilação Vozes da Raiva (split com Mata Ratos e Garotos Podres).
Depois disso tem participado em diferentes projectos musicais. Agora está a tocar com Cavalaria 77
 
Para além de falarmos sobre estes projectos musicais, o João falou do ambiente de Linda-a-Velha entre 1988 e 1996, “anos extremamente produtivos, nem tanto pelo estilo ser punk/hardcore ou experimental ou isto ou aquilo; o que eu me lembro é de uma grande comunidade de amigos e vizinhos, de pessoas a fazerem música sem recursos, sem internet, totalmente do it yourself”.

Uma quatidade considerável de malta nova desocupada, um espaço disponivel para concertos (a Academia Recreativa de Linda-a-Velha: “o sitio do país com mais concertos seguidos, 22 anos sempre a bombar!”) e um ambiente criativo no ar, permitiram que ao longo desses anos aparecessem imensas bandas de diferentes géneros musicais, como os Shrine, os Pé de Cabra, os Trinta & Um ou os Liriscumbrus.
Houve ainda tempo para o João divagar um pouco sobre o presente e o futuro da sociedade, da tecnologia e da arte.  

“Há que chamar a atenção de uma coisa sobre a arte: a arte não é para ser uma coisa só limpinha. Isso é para os profissionais, isso é para os arquitectos, isso é para quem está a querer vender. Outra coisa é para as pessoas que vivem a arte e a música dentro do coração e que querem fazer algo que lhes diga alguma coisa.”

“Hoje em dia as coisas estão muito estéreis: os metrónomos, os computadores, os processos de gravação… sai tudo completamente igual. Perdeu-se aquela coisa orgânica, perdeu-se a alegria de estar a tocar e a reagir em conjunto, toda a gente quer soar como um computador… isso irrita-me profundamente!”


playlist:
 
Stratus - Um Chuto no Quarto
Eskorbuto - Historia Triste
Mata Ratos- Expulsos do Bar
Pé de Cabra - Moinomutantes
Pé de Cabra - Aníbal
Shrine-my hatred
Midnight Priest - à Boleia Com O Diabo
Commando 9mm - Anti-Social
António Variações - Toma o comprimido
Cicatriz - No me jodas más
Clockwork Boys- Guitarras em Chamas (incompleto)
Segismundo Toxicómano - Por Ti
Gatillazo - Esclavos del Siglo XXI
Xutos & Pontapés - Sexo
Creedence Clearwater Revival - I Put A Spell On You

stressfm-podcasts:

DIRECTO: RAFAEL DIONÍSIO

Edição feita a partir do directo emitido do estúdio da Stress.fm, no dia 8 de Maio de 2013.

Presença já regular na grelha da Stress.fm com o seu Ruminação no Asfalto*, Rafael Dionísio (ou João Rafael Dionísio, ou apenas João) esteve no nosso estúdio no passado dia 8 de Maio de 2013 para a emissão em directo de uma conversa. 
O João Rafael Dionísio começou a escrever poesia no início dos anos 90. Ao longo dessa década foi escrevendo com regularidade - poesia e um ou outro ensaio -, sem grandes pressas em editar.
 
Foi já no século XXI que o seu trabalho começou a ser impresso através da editora Chili com Carne, que - até à data - lançou todos os seus livros: textos mais ou menos poéticos (2000), A sagrada família (2002); Lucrécia (2006); Cadernos do Fausto (2008); Algumas pessoas depois (2011). Em breve vai ser lançado um novo volume chamado Geração Espontânea. 
 
Ao longo deste programa falámos sobre o trabalho, o percurso e as  opiniões de Rafael Dionísio; tudo isto recheado com o seu humor eufórico. Tivemos ainda o privilégio de o ouvir recitar partes do livro que ele está presentemente a escrever e que se vai chamar Ocorrências Nocturnas, “um exercicio de escrita inspirado nuns cadernos que dois amigos meus me deram, que  são cadernos dos turnos de um hospital psiquiátrico”.
A escolha musical foi feita pelo nosso convidado Dionísio:

Ali Farka Toure - Singya
Iannis Xenakis - Metastases
The Chemical Brothers - Galvanize
Dead Kennedys - Anarchy for sale
 
 
*O programa ruminação no asfalto é emitido na Stress.fm ao domingo, quarta & sexta-feira, ao meio dia e às 20:55.
 
 
links de referência:
 
 
1. O sistema nervoso
Entre todas as alianças possíveis no presente esquema politico-económico global, a mais desastrosa e improvável é a que une tacitamente as jovens classes criativas digitais e as idosas classes financeiras invisíveis.
Desastrosa para quem? Improvável porquê?
Uma aliança é um pacto entre duas ou mais partes, selado com vista a alcançar objectivos e a garantir interesses comuns. Uma aliança tácita baralha a definição: deixa aberta a possibilidade da ignorância, da habilidade, da fraqueza, ou das más intenções de uma das partes envolvidas. O presente caso é um exemplo raro de coincidência de todas estas possibilidades. Ao mesmo tempo que a Austeridade é apresentada e imposta como a única solução para a crise das dívidas soberanas, o capital de investimento é distribuído à velocidade da luz em bolsas de inovação criadas por produtos e serviços de software que destroem, ou encolhem significativamente, os mercados em que entram. Música, imprensa, literatura, educação, transportes, logística, contabilidade, funcionalismo, saúde, armas: áreas em que a hegemonia do código alterou de vez a equação produtiva e laboral.
A esquizofrenia não é aparente: é um método através do qual é possível ter uma recuperação económica sem criar emprego, é o único método que permite anunciar cortes orçamentais e celebrar o empreendorismo no mesmo fôlego. É uma relação feudal que resulta do actual contrato de financiamento da inovação no contexto electrónico do capitalismo global: uma sequência previsível de invenção de serviços gratuitos, disrupção de modelos vigentes, investimento de capital com base na capacidade de criar comunidades e necessidades, e a contagem decrescente para um retorno do investimento sob a forma de acções ou dinheiro vivo.
A cultura empreendedora do Silicon Valley (software) e a cultura micro-industrial dos Makers e dos hackerspaces (hardware), apresentadas e pensadas como a vanguarda de uma nova ética colaborativa e geradora de poderes, são também desta forma os instrumentos que permitem a materialização de uma sociedade em rede à escala planetária: algo que não é compatível com a lentidão de entidades analógicas como a democracia, o Estado-nação, as classes médias e o contrato social que as une.
A inovação digital é o sistema nervoso da Austeridade.

 
2. Trabalho digital, direitos políticos
Se todo o emprego é digital e se a internet está em toda a parte, todos os momentos da vida quotidiana são de trabalho. A sombra de dados gerada a cada movimento estende-se para além da actividade nas redes sociais ou na web: a mobilidade dos computadores celulares transforma a experiência diária na cidade num portfolio incessante de percursos, hábitos, comunicações, e escolhas. Os dados pessoais e colectivos são a unidade-base de uma economia digital total onde se esbate a fronteira entre a produção e o consumo e onde a partilha - esse valor previamente de nobres conotações - é agora o gesto feito moeda comum em permanente circulação.
Este trabalho imaterial define quem são os utilizadores e quem são os donos do software e das máquinas que regulam e materializam o mundo. Os contratos estabelecidos entre as duas partes, que apesar de fluídas tendem a assumir estruturas estáveis e a compôr-se de actores fixos, são incompreensíveis, arbitrários, e opacos. Os múltiplos Termos de Serviço que regem a relação entres utilizadores e donos dos recursos produtivos digitais são uma simplificada caricatura do que os movimentos laborais conseguiram à custa de lutas seculares chamar contratos de trabalho: a economia digital é, até agora, isenta de qualquer providência de direitos laborais e civis.
O código digital é inseparável da gestão e invenção da vida e por isso é parte central na redefinição das relações de poder nas sociedades em rede. A desigualdade estrutural na arquitectura da internet favorece necessariamente as maiores concentrações de servidores, os cabos de fibra óptica mais largos, os algoritmos financeiros mais obscuros, as bases de dados mais interligadas: os computadores não nascem todos iguais.
Uma justiça contemporânea exige a reconfiguração digital da política e a transformação política do universo digital.

  
3. Da inovação criativa à democracia emergente
A aceleração exponencial das indústrias de hardware e software, traduzida nas ideologias corporativas da Internet das Coisas e das cidades inteligentes, transforma a cidade do século 21 num ambiente animado por sensores. As possibilidades de diálogo entre objectos, lugares, pessoas e redes podem ser agora o contexto de uma cidadania permanente, em tempo real. A simples presença no espaço público é suficiente, nestas condições, para gerar um rasto de dados cujas utilizações criativas podem contribuir para a gestão da cidade, a elaboração de políticas, a vigilância, o mapeamento, a reprodução e o remix.
Tornar visível a multiplicidade dos sistemas operativos mediadores de percursos e actividades urbanas é a tarefa exigida a uma cidadania sensorial electrónica. Controlar e manipular os fluxos de dados produzidos pela rua é a tarefa de uma democracia emergente.
A relação de dependência entre as classes criativas e o capital de investimento é um obstáculo à realização da promessa de abundância contida na história e no destino do universo digital. A Austeridade é uma manobra de diversão para camuflar o desvio desse destino e aniquilar a justiça e os direitos sociais no processo.
Apenas a apropriação constante dos meios de produção, mediação e distribuição digital permite arriscar um equilíbrio e ousar uma oscilação digna entre a criatividade e a economia, entre o trabalho e a liberdade, entre o desejo e a política.



 
Fontes e Links
Bruce Sterling @ NEXT13, Berlin
Tiziana Terranova “Free Labor: Producing Culture for the Digital Economy”
Jaron Lanier - “Who Owns the Future?”
James Bridle - “Impersonating the Machine”
Rob Kitchin & Martin Dodge - CODE/SPACE: Software and Everyday Life
George Dyson -A Universe of Self-Replicating Code

Boca Dourada

 


1. O sistema nervoso

Entre todas as alianças possíveis no presente esquema politico-económico global, a mais desastrosa e improvável é a que une tacitamente as jovens classes criativas digitais e as idosas classes financeiras invisíveis.

Desastrosa para quem? Improvável porquê?

Uma aliança é um pacto entre duas ou mais partes, selado com vista a alcançar objectivos e a garantir interesses comuns. Uma aliança tácita baralha a definição: deixa aberta a possibilidade da ignorância, da habilidade, da fraqueza, ou das más intenções de uma das partes envolvidas. O presente caso é um exemplo raro de coincidência de todas estas possibilidades. Ao mesmo tempo que a Austeridade é apresentada e imposta como a única solução para a crise das dívidas soberanas, o capital de investimento é distribuído à velocidade da luz em bolsas de inovação criadas por produtos e serviços de software que destroem, ou encolhem significativamente, os mercados em que entram. Música, imprensa, literatura, educação, transportes, logística, contabilidade, funcionalismo, saúde, armas: áreas em que a hegemonia do código alterou de vez a equação produtiva e laboral.

A esquizofrenia não é aparente: é um método através do qual é possível ter uma recuperação económica sem criar emprego, é o único método que permite anunciar cortes orçamentais e celebrar o empreendorismo no mesmo fôlego. É uma relação feudal que resulta do actual contrato de financiamento da inovação no contexto electrónico do capitalismo global: uma sequência previsível de invenção de serviços gratuitos, disrupção de modelos vigentes, investimento de capital com base na capacidade de criar comunidades e necessidades, e a contagem decrescente para um retorno do investimento sob a forma de acções ou dinheiro vivo.

A cultura empreendedora do Silicon Valley (software) e a cultura micro-industrial dos Makers e dos hackerspaces (hardware), apresentadas e pensadas como a vanguarda de uma nova ética colaborativa e geradora de poderes, são também desta forma os instrumentos que permitem a materialização de uma sociedade em rede à escala planetária: algo que não é compatível com a lentidão de entidades analógicas como a democracia, o Estado-nação, as classes médias e o contrato social que as une.

A inovação digital é o sistema nervoso da Austeridade.

 

2. Trabalho digital, direitos políticos

Se todo o emprego é digital e se a internet está em toda a parte, todos os momentos da vida quotidiana são de trabalho. A sombra de dados gerada a cada movimento estende-se para além da actividade nas redes sociais ou na web: a mobilidade dos computadores celulares transforma a experiência diária na cidade num portfolio incessante de percursos, hábitos, comunicações, e escolhas. Os dados pessoais e colectivos são a unidade-base de uma economia digital total onde se esbate a fronteira entre a produção e o consumo e onde a partilha - esse valor previamente de nobres conotações - é agora o gesto feito moeda comum em permanente circulação.

Este trabalho imaterial define quem são os utilizadores e quem são os donos do software e das máquinas que regulam e materializam o mundo. Os contratos estabelecidos entre as duas partes, que apesar de fluídas tendem a assumir estruturas estáveis e a compôr-se de actores fixos, são incompreensíveis, arbitrários, e opacos. Os múltiplos Termos de Serviço que regem a relação entres utilizadores e donos dos recursos produtivos digitais são uma simplificada caricatura do que os movimentos laborais conseguiram à custa de lutas seculares chamar contratos de trabalho: a economia digital é, até agora, isenta de qualquer providência de direitos laborais e civis.

O código digital é inseparável da gestão e invenção da vida e por isso é parte central na redefinição das relações de poder nas sociedades em rede. A desigualdade estrutural na arquitectura da internet favorece necessariamente as maiores concentrações de servidores, os cabos de fibra óptica mais largos, os algoritmos financeiros mais obscuros, as bases de dados mais interligadas: os computadores não nascem todos iguais.

Uma justiça contemporânea exige a reconfiguração digital da política e a transformação política do universo digital.

 

3. Da inovação criativa à democracia emergente

A aceleração exponencial das indústrias de hardware e software, traduzida nas ideologias corporativas da Internet das Coisas e das cidades inteligentes, transforma a cidade do século 21 num ambiente animado por sensores. As possibilidades de diálogo entre objectos, lugares, pessoas e redes podem ser agora o contexto de uma cidadania permanente, em tempo real. A simples presença no espaço público é suficiente, nestas condições, para gerar um rasto de dados cujas utilizações criativas podem contribuir para a gestão da cidade, a elaboração de políticas, a vigilância, o mapeamento, a reprodução e o remix.

Tornar visível a multiplicidade dos sistemas operativos mediadores de percursos e actividades urbanas é a tarefa exigida a uma cidadania sensorial electrónica. Controlar e manipular os fluxos de dados produzidos pela rua é a tarefa de uma democracia emergente.

A relação de dependência entre as classes criativas e o capital de investimento é um obstáculo à realização da promessa de abundância contida na história e no destino do universo digital. A Austeridade é uma manobra de diversão para camuflar o desvio desse destino e aniquilar a justiça e os direitos sociais no processo.

Apenas a apropriação constante dos meios de produção, mediação e distribuição digital permite arriscar um equilíbrio e ousar uma oscilação digna entre a criatividade e a economia, entre o trabalho e a liberdade, entre o desejo e a política.

 

Fontes e Links

Bruce Sterling @ NEXT13, Berlin

Tiziana Terranova “Free Labor: Producing Culture for the Digital Economy”

Jaron Lanier - “Who Owns the Future?”

James Bridle - “Impersonating the Machine”

Rob Kitchin & Martin Dodge - CODE/SPACE: Software and Everyday Life

George Dyson -A Universe of Self-Replicating Code

Boca Dourada

stressfm-podcasts:

Directo: Casal do Leste

Casal do Leste é uma grupo musical nascido em Novembro de 2008 nas Caldas da Rainha. Já contou com a participação de diferentes músicos; actualmente, é um quarteto formado pelo José Smith (voz e guitarra), João Cabaço (guitarra), Luís Carreira (baixo) e João Ferro Martins (bateria). Têm um disco e um mini-cd editados. Ambos estão disponiveis para descarregar AQUI.

 

image

 

No passado dia 23 de Abril de 2013 estivemos no estúdio da Stress.fm em directo com o José Smith e o João Ferro Martins, na véspera de eles estrearem em Coimbra o espectáculo “O terror e a miséria também é isto…”, criado a partir de textos de Miguel Castro Caldas

 

Ao longo desta conversa fomos ouvindo algumas músicas de Casal do Leste e de artistas que os influenciaram:


Casal do Leste - Caído

Koji Kondo - Zelda
Casal do Leste - O Morto do Nome Falso (José Gomes Ferreira) - gravação de ensaio
José Pinhal - Basta que sejas feliz
Casal do Leste - Este sim este não

Victor Jara - La Cocinerita
Casal do Leste - La Cocinerita

Mão Morta - Lisboa

Links relacionados:

página oficial de Casal do Leste

Stress.fm: Casal do Leste ao vivo nos Anjos, em Lx

 
Sempre me safei com o eléctrico 28 e naquele dia a sorte também não me faltou. A carteira estava recheada de notas e os cartões de crédito até assustavam. Era camone, como convém, senti assim como uma chama de alegria a arder por dentro, que me parecia dizer que não tinha feito nada de mal, que dinheiro era do que ele menos precisava. E eu por aqueles dias já estava a ficar nas lonas.
No dia a seguir, quando li no jornal que tinham roubado a carteira de um senhor da Troika, fiquei preocupado. Se calhar vão logo pensar em milhões de euros, quando não passou de 200 e picos, mais coisa menos coisa. Como tenho um currículo jeitoso e nesta Lisboa todos se conhecem e se chibam por dá cá  aquela palha, fiquei um pouco preocupado e decidi dar de frosques por uns dias. (…)
A redacção trata, na primeira pessoa, a figura de um carteirista experimentado do electrico 28 e a sua emigração temporária para Bruxelas. É parte de um conto de Domingos Galamba - «A Saída dos Cérebros para o Estrangeiro» -  incorporado  na Colectânea Contos Capitais. 
O livro é uma obvia exploração comercial bem sucedida. Não é um livro de viagens, mas poderia ser; não é um livro de ficções, mas poderia ser;  não é um livro de escritores consagrados, mas poderia ser. Tem, na verdade um bocado de cada uma das soluções apontadas aludindo a vários critérios de selecção, com possibilidades de atracção de um público mais vasto.
Em Contos Capitais reúnem-se 30 cidades e o mesmo número de escritores, alguns bem conhecidos do grande público: Urbano Tavares Rodrigues, José Jorge Letria, Baptista-Bastos, Mário de Carvalho, David Toscana, António Sarabia, entre outros.
As cidades: Bissau, Lisboa, Havana, Berlim, Estocolmo, Ashitveba, Oslo, Bruxelas, São Tomé, Londres, Seul, Atenas, Tallin, La Paz, Catmandu, Paris, Montevideu, Praga, Buenos Aires, Cidade do México, Varsóvia, Madrid, Roma, Sarajevo, Brasília, Palenque, Luxemburgo, Washington, Damasco e Dublin.

 

Sempre me safei com o eléctrico 28 e naquele dia a sorte também não me faltou. A carteira estava recheada de notas e os cartões de crédito até assustavam. Era camone, como convém, senti assim como uma chama de alegria a arder por dentro, que me parecia dizer que não tinha feito nada de mal, que dinheiro era do que ele menos precisava. E eu por aqueles dias já estava a ficar nas lonas.

No dia a seguir, quando li no jornal que tinham roubado a carteira de um senhor da Troika, fiquei preocupado. Se calhar vão logo pensar em milhões de euros, quando não passou de 200 e picos, mais coisa menos coisa. Como tenho um currículo jeitoso e nesta Lisboa todos se conhecem e se chibam por dá cá  aquela palha, fiquei um pouco preocupado e decidi dar de frosques por uns dias. (…)

A redacção trata, na primeira pessoa, a figura de um carteirista experimentado do electrico 28 e a sua emigração temporária para Bruxelas. É parte de um conto de Domingos Galamba - «A Saída dos Cérebros para o Estrangeiro» -  incorporado  na Colectânea Contos Capitais

O livro é uma obvia exploração comercial bem sucedida. Não é um livro de viagens, mas poderia ser; não é um livro de ficções, mas poderia ser;  não é um livro de escritores consagrados, mas poderia ser. Tem, na verdade um bocado de cada uma das soluções apontadas aludindo a vários critérios de selecção, com possibilidades de atracção de um público mais vasto.

Em Contos Capitais reúnem-se 30 cidades e o mesmo número de escritores, alguns bem conhecidos do grande público: Urbano Tavares Rodrigues, José Jorge Letria, Baptista-Bastos, Mário de Carvalho, David Toscana, António Sarabia, entre outros.

As cidades: Bissau, Lisboa, Havana, Berlim, Estocolmo, Ashitveba, Oslo, Bruxelas, São Tomé, Londres, Seul, Atenas, Tallin, La Paz, Catmandu, Paris, Montevideu, Praga, Buenos Aires, Cidade do México, Varsóvia, Madrid, Roma, Sarajevo, Brasília, Palenque, Luxemburgo, Washington, Damasco e Dublin.

fluxosetransicoes:

Na grande Lisboa continua-se a despejar pessoas das casas que habitam. Fomos acompanhando Santa Filomena, mas essa verdade acontece também no 6 de Maio, Reboleira; nos bairros sociais com rendas “técnicas” e nos apartamentos comprados por uma classe média cada vez mais empobrecida.

O documentário de Leonor Areal Aqui Tem Gente, chama a atenção para a situação do Bairro da Torre em Camarate (Concelho de Loures), onde está em curso um processo de despejo de iniciativa municipal que afecta 80 famílias. Algumas habitações já foram destruídas, outras estão, por enquanto, salvaguardadas por acções em tribunal.

O documentário de 80m estreia dia 9 de Maio no Panorama. 

+ info